O concurso Prefeitura Municipal de Cacoal/RO de 2024 teve prova para o cargo de Biomédico, organizada pela banca Instituto Consulplan. A prova tinha 50 questões. Abaixo estão todas as questões com o gabarito oficial.
O que caiu nas disciplinas específicas: Microbiologia (3), Parasitologia (2), Urinálise e Líquidos Corporais (2), Hematologia (2), Gestão da Qualidade, Biossegurança e Fase Pré-analítica (1). Os temas mais cobrados foram Identificação laboratorial de bactérias, Identificação de larvas (Strongyloides), Métodos de diagnóstico parasitológico, Desempenho de testes (sensibilidade, especificidade, VPN), Micologia - dermatófitos.
Disciplinas gerais: Língua Portuguesa (15), Legislação do SUS e Saúde Pública (15), Raciocínio Lógico e Matemática (5), Legislação Institucional (EBSERH/órgão) (5).
Resolver esta prova no app (grátis)
Perguntas frequentes
Qual foi a banca do concurso Prefeitura Municipal de Cacoal/RO 2024 para Biomédico?
A banca foi Instituto Consulplan. Temos 2 provas de Biomédico dessa banca no nosso banco.
Quantas questões teve a prova de Biomédico do concurso Prefeitura Municipal de Cacoal/RO 2024?
A prova teve 50 questões.
O que mais caiu na prova de Biomédico Prefeitura Municipal de Cacoal/RO 2024?
Nas específicas: Microbiologia (3), Parasitologia (2), Urinálise e Líquidos Corporais (2), Hematologia (2). Temas mais cobrados: Identificação laboratorial de bactérias, Identificação de larvas (Strongyloides), Métodos de diagnóstico parasitológico.
Onde encontro a prova e o gabarito do concurso Prefeitura Municipal de Cacoal/RO 2024?
Nesta página estão todas as questões com o gabarito oficial. No app do Concurso Biomédico dá para resolver a prova, marcar as respostas e ver o desempenho.
Como estudar para o próximo concurso Prefeitura Municipal de Cacoal/RO?
Resolva esta e as outras provas da banca Instituto Consulplan, comece pelas disciplinas que mais caem (Bioquímica Clínica, Microbiologia, Hematologia) e leia os comentários das questões que errar. Quando sair um novo edital, ele aparece na nossa página de concursos abertos.
Questões da prova com gabarito
Questão 1 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
No texto predomina o tipo textual:
- A) Narrativo, visto que relata a experiência de um usuário de redes sociais que recebia exclusiva e frequentemente vídeos sobre o mesmo conteúdo que apreciava.
- B) Injuntivo, uma vez que apresenta orientações sobre a necessidade de mudança comportamental dos jovens para fomentar o desenvolvimento da criatividade.
- C) Argumentativo, pois defende a ideia de que há fatores responsáveis pelo desencadeamento de uma crise de criatividade dos jovens e os prejuízos advindos dela.
- D) Descritivo, já que caracteriza a crise de criatividade dos jovens e explica como influenciam as bolhas, algoritmos e sistema de busca para endossar o fenômeno.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 2 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
De acordo com o texto, só NÃO favorece a implantação da crise de criatividade vivenciada pelos jovens a:
- A) Preferência pelas interações virtuais em detrimento das interações reais.
- B) Rejeição da experiência concreta de aceitação do contato com o diferente.
- C) Dicotomia entre a ingenuidade da infância e as turbulências da vida adulta.
- D) Procura por soluções dos problemas nos algoritmos, sites de busca e bolhas.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 3 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
De acordo com o dicionário on-line Priberam, “bolha” apresenta, entre outros, os seguintes sentidos: 1. Glóbulo formado pelo ar que se eleva à superfície dos líquidos. 2. Situação, geralmente ilusória ou efêmera, em que há [...] aumento do valor de um bem sem sustentação real. 3. Apego excessivo ou obsessivo a uma ideia ou intenção. 4. Que ou o que é muito aborrecido. (Disponível em: https://dicionario.priberam.org/bolha. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.) No texto, todavia, o termo “bolha/bolhas” é empregado com sentido bastante específico. Assinale a alternativa cujo numeral indica o sentido que mais se assemelha àquele usado no texto.
- A) 1.
- B) 2.
- C) 3.
- D) 4.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 4 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
No texto são mencionados diversos fatores que comprometem o desenvolvimento da criatividade nos jovens. O mais signifi-cativo deles, segundo a autora, é(são):
- A) A formação docente insuficiente.
- B) O uso sistemático de redes sociais.
- C) As desigualdades socioeconômicas.
- D) O ensino de conteúdos tradicionais.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 5 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Observe esta passagem: “Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo.” (5º§). Considerando o sentido atribuído à expressão destacada, só NÃO configura exemplo de atitude descrita pelo termo, segundo o texto:
- A) Adentrar lugares desconhecidos.
- B) Acolher pontos de vista díspares.
- C) Rechaçar concepções alternativas.
- D) Selecionar conteúdos diversificados.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 6 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Considerando os fragmentos em I, assinale a alternativa em que a mudança de posição do advérbio ou locução adverbial NÃO provocou sensível alteração semântica em II.
- A) I. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente.” (5º§)
II. Sempre consumimos as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente.
- B) I. “Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual?” (4º§)
II. Como exercer a criatividade, de maneira igual, em uma bolha na qual todos pensam e agem?
- C) I. “E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações [...]” (4º§)
II. E como as máquinas não dão conta da miríade de possibilidades ainda que as relações [...]
- D) I. “Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos [...]” (7º§)
II. Somos atores num palco demonstrando o quanto somos eternamente parecidos com os nossos [...]
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 7 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Assinale a alternativa em que o termo destacado, com sentido conotativo, foi substituído por outro termo com sentido denotativo, a fim de manter a adequada correspondência de significados.
- A) “Desinformação, fake news, tudo é sintoma.” (7º§) – efeito
- B) “[...] pessoas que trazem olhares diferentes das coisas [...]” (5º§) – convicções
- C) “[...] resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas [...]” (6º§) – exacerbação
- D) “[...] questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha.” (4º§) – origem
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 8 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
A língua, por ser um organismo dinâmico, permite que determinadas palavras adquiram valor de outras classes gramaticais, como ocorre no processo de substantivação, que é a atribuição de funções de substantivo a alguma outra palavra como, por exemplo, a um adjetivo. Considerando essas informações, assinale a alternativa em que há presença de adjetivo substan-tivado.
- A) “Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: [...]” (3º§)
- B) “[...] os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente [...]” (3º§)
- C) “[...] divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: [...]” (1º§)
- D) “‘Toda conversa [...] se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada.’” (7º§)
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 9 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Sabe-se que, no Português, existem quatro tipos de “porquês” (por que, porque, por quê e porquê) que são empregados em contextos distintos e com diferentes sentidos. Com base nessas informações, assinale a alternativa em que um desses “porquês” apresenta sentido diferente dos demais.
- A) “Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes [...]” (7º§)
- B) “Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades [...]” (7º§)
- C) “[...] cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise [...]” (8º§)
- D) “Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados? (2º§)
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 10 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Os fragmentos a seguir apresentam figuras de linguagem. Assinale a alternativa cujo enunciado contém a figura corretamente indicada.
- A) “[...] há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo [...]” (4º§) – paradoxo.
- B) “[...] justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, [...]” (1º§) – personificação.
- C) “[...] um algoritmo nos propondo (...) mais conteúdos sobre o que gostamos [...]” (4º§) – sinestesia.
- D) “Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos [...]” (7º§) – metáfora.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 11 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Em qual alternativa o pronome anafórico destacado teve seu referente INCORRETAMENTE apontado?
- A) “[...] já que estamos inundados por eles.” (8º§) – diálogo e interação.
- B) “[...] com os quais nos sentimos mais confortáveis?” (4º§) – conteúdos.
- C) “[...] sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas.” (4º§) – indivíduos.
- D) “Tire-as da reta e o problema continuará ali, [...]” (7º§) – desinformação e fake news.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 12 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Releia esta passagem: “É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida [...]” (6º§). O termo anteriormente destacado apresenta o mesmo valor semântico daquele empregado em:
- A) “[...] questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha.” (4º§)
- B) E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades [...]” (4º§)
- C) “[...] a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade [...]” (2º§)
- D) “Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast ‘curti, e daí?’[...]” (6º§)
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 13 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Observe este fragmento: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto...” (6º§). Caso substituíssemos a primeira palavra do enunciado – “eu” – por “nós”, quantas alterações seriam necessárias para que se mantivesse a coesão, coerência e correção gramatical?
- A) 11.
- B) 12.
- C) 13.
- D) 14.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 14 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Analise os enunciados a seguir, bem como suas respectivas afirmativas, considerando o emprego do acento indicativo de crase.
I. Se em “combater a polarização” (5º§), houvesse a substituição do verbo “combater” pelo substantivo “combate”, a crase seria obrigatória.
II. Em “à procura de afeto” (7º§), com ou sem crase, não há alteração de sentido.
III. Em “em frente às telas de celulares” (3º§), se o artigo “as” estivesse no singular, a crase se manteria.
IV. Em “conduzem a uma reprodução automática” (6º§), se, em lugar do artigo indefinido feminino, fosse empregado o artigo definido feminino, a crase seria obrigatória.
V. Em “ambiente propício à criatividade” (3º§), a crase se justifica pelo fato de o adjetivo “propício” construir sua regência com a preposição “a”, seguido de substantivo feminino.
VI. Em “precisamos recuperar a nossa capacidade” (8º§), a crase é facultativa em virtude da presença de pronome possessivo feminino.
Está correto o que se afirma apenas em
- A) I, IV e V.
- B) II, III e IV.
- C) I, II, IV e V.
- D) II, IV, V e VI.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 15 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Os adolescentes, a criatividade, as bolhas e os algoritmos
País do futebol arte, da bossa nova, do carnaval espetáculo, do cinema novo e de tantas outras formas de arte admiráveis. Essas sempre foram justificativas para que o Brasil fosse visto como um país criativo, que inova em diversas situações. Por isso, qual não foi a surpresa quando o Pisa, a avaliação internacional para estudantes com 15 anos, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgou os resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, com 23 pontos.
Desde o ano 2000, o Pisa avalia os conhecimentos gerais em matemática, ciências e leitura de alunos de escolas públicas e particulares, e essa foi a primeira vez em que a criatividade foi considerada nas respostas. Com o tema “Mentes criativas e escolas criativas”, a proposta era avaliar como os diferentes países integram a criatividade nos currículos escolares, com o objetivo de formar cidadãos capazes de explorar novas perspectivas para solucionar problemas de maneira original e eficaz. Mas por que será que o Brasil apareceu entre os 12 piores resultados?
Especialistas analisam a questão sob diferentes perspectivas: a escola brasileira precisa ser um ambiente mais propício à criatividade, oferecendo mais espaço para disciplinas e atividades que estimulem os alunos a buscarem alternativas novas para os problemas cotidianos e não apenas focar nas disciplinas obrigatórias; os educadores precisam ser melhor formados para implementar atividades e projetos que desenvolvam diferentes competências e habilidades artísticas e inovadoras nas crianças e jovens; os brasileiros são um dos públicos que mais tempo passa em frente às telas de celulares e tablets e, por fim, há quem chame a atenção para as imensas desigualdades de toda ordem existentes em nosso país, que dificultam o aprendizado de conteúdos básicos como leitura, escrita e cálculo.
Todas as análises fazem sentido, porém, questões complexas como essa pedem respostas na mesma linha. Há uma crise de criatividade entre as crianças e jovens das novas gerações, e isso é um sinal de que há algo acontecendo nos corações e mentes desse público no mundo inteiro. Como sabemos, a adolescência é a fase de transição entre a infância e a vida adulta, e traz, em seu bojo, a dicotomia entre a saudade dos tempos pueris e o desejo de desbravar o desconhecido, de preferência, por conta e risco. Em tempos em que as conexões digitais têm tomado o espaço precioso das interações reais em que se aprendia a solucionar os problemas por meio da experiência concreta de ter de lidar cara a cara com o diferente e o diverso, assistimos a esses indivíduos aguardando que os algoritmos e sistemas de busca lhes forneçam todas as respostas. E como as máquinas ainda não dão conta da miríade de possibilidades que as relações nos oferecem para a resolução dos problemas, temos meninos e meninas mais acomodados, passivos, entediados. Como exercer a criatividade em uma bolha na qual todos pensam e agem de maneira igual? Como buscar novas visões sobre o que nos rodeia com um algoritmo nos propondo, sem cessar, mais conteúdos sobre o que gostamos e com os quais nos sentimos mais confortáveis?
Essas são perguntas que também nós, adultos, temos de nos fazer. Não só como educadores dessa nova geração, mas como indivíduos e cidadãos. Sair das bolhas, combater a polarização e tudo o que nos divide e desumaniza é um exercício cotidiano de criatividade. “Consumimos sempre as mesmas coisas nas redes, ignorando o que é diferente. Por isso, é sempre bom dar um nó no algoritmo. Ouvir playlists fora do que estamos acostumados, andar por regiões diferentes, escutar o que os outros pensam, nos relacionar com pessoas que trazem olhares diferentes das coisas”, aconselha a jornalista e especialista em comunicação digital Pollyana Ferrari, autora do livro “Como sair das bolhas”. Olhar para além das redes é, sobretudo, um exercício de manutenção da saúde mental, mas, como tudo o que envolve um certo esforço e nos desacomoda, torna-se um grande desafio. E andamos cansados demais para dar conta desses e de tantos outros que a vida contemporânea tem nos colocado.
É interessante observar como a aparente facilidade que nos é oferecida pelos algoritmos e bolhas vai diminuindo não apenas a nossa criatividade e criticidade. Eles, ao moldarem nossos gostos e necessidades, resumem as nossas preferências a meia dúzia de coisas que conduzem a uma reprodução automática, gerando tédio e desinteresse pelo que nem sabemos existir. Como afirmou um estudante que entrevistamos para o podcast “curti, e daí?”: “Eu estava no TikTok e apareceu um vídeo para mim. Coisas que eu mais gosto, e aí, todas as coisas que apareceram no vídeo eram as coisas que eu mais gostava de fazer. Eu percebo que a cada dia isso é mais evidente, como se fosse diminuindo tudo que eu gosto mais, sabe? Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto…”.
Ter consciência do que nos acontece é sempre um bom começo. Porém, é preciso lembrar do porquê de estarmos nas redes: em busca da sensação de pertencimento, algo que é fundamental para o ser humano e mais ainda para aqueles que estão em formação. Estamos sempre à procura de afeto e reconhecimento, e nas redes isso vem de maneira rápida e volumosa, traduzido por cliques e likes. “Desinformação, fake news, tudo é sintoma. Tire-as da reta e o problema continuará ali, igual, de pé. Porque o problema principal é o do alinhamento de identidades e de como é reconfortante estar num grupo homogêneo. Toda conversa, nas redes sociais, se torna um ritual de reafirmação dessa identidade alinhada. Somos atores num palco eternamente demonstrando o quanto somos parecidos com os nossos e distintos daqueles outros”, alerta o jornalista Pedro Dória em seu artigo “A rede social perfeita para as democracias”, publicado no Canal Meio.
Nesse sentido, cabe-nos perguntar não apenas por que vivemos uma crise de criatividade, mas sobretudo por que não conseguimos nos encontrar nos espaços que promovem o diálogo, a interação corpo a corpo, que estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais). Precisamos recuperar a nossa capacidade de imaginar para além dos fatos, dados e informações, já que estamos inundados por eles. Um bom começo pode estar no resgate de alguns sonhos e projetos que não estão no nosso feed. Não requer muito esforço, apenas iniciativa, atitude indissociável da criatividade.
(Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2024/07/04/os-adolescentes-a-criatividade-as-bolhas-e-os-algoritmos. Acesso em: setembro de 2024. Adaptado.)
Considerando as prescrições da norma culta escrita, assinale a alternativa que contém justificativa INADEQUADA para o emprego dos sinais de pontuação, conforme as ideias do texto.
- A) “A rede social perfeita para as democracias.” (7º§) Aspas duplas: marcam citação.
- B) “Como se fosse compactando as coisas que eu mais gosto...” (6º§) Reticências: sinalizam interrupção do texto transcrito.
- C) “[...] estimulam a imaginação nos trazendo novas paisagens (físicas e ficcionais).” (8º§) Parênteses: assinalam informações acessórias.
- D) “[...] resultados do exame de 2022 no quesito pensamento criativo: estamos no 49º lugar, [...]” (1º§) Dois-pontos: introduzem informações detalhadas sobre termo citado anteriormente.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 16 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Em uma farmácia de manipulação, considere que todos os funcionários são igualmente eficientes. Se 4 funcionários manipulam 4.000 comprimidos de um medicamento em 4 dias, quantos comprimidos do mesmo medicamento serão manipulados em 6 dias por apenas 1 funcionário?
- A) 1.500.
- B) 2.000.
- C) 2.500.
- D) 3.000.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 17 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Sempre que Janete vai até à pastelaria, ela tem uma probabilidade 1/2 de pedir apenas um pastel salgado, 1/3 de pedir apenas um pastel doce e 1/6 de pedir um pastel salgado e um pastel doce. Na próxima vez que Janete for até à pastelaria, qual a probabilidade de que ela peça um pastel salgado?
- A) 1 . 2 2
- B) . 3 3
- C) . 4 5
- D) . 6
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 18 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Renan, Sérgio e Teodoro são irmãos e casados com Amanda, Fernanda e Suellen, mas não necessariamente nessa ordem. Sobre as idades distintas dos três irmãos, observa-se que Renan é mais velho que o marido de Fernanda. Além disso, Teodoro não é o mais novo dos três irmãos. Se Sérgio é casado com Amanda, é correto afirmar que:
- A) Renan é casado com Suellen.
- B) Renan é mais novo que Sérgio.
- C) Sérgio é mais velho que Teodoro.
- D) O marido de Fernanda é mais velho que o marido de Suellen.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 19 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Em um levantamento feito com 40 frequentadores de um clube, concluiu-se que 14 utilizam a sauna e 18 utilizam a academia. Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que:
- A) O levantamento está errado, uma vez que 14 + 18 < 40.
- B) Somente 8 frequentadores utilizam tanto a academia quanto a sauna.
- C) Se 8 desses frequentadores não utilizam a sauna e nem a academia, então há algum frequentador que utiliza tanto a academia quanto a sauna.
- D) Se 10 desses frequentadores não utilizam a sauna e nem a academia, então há 2 frequentadores que utilizam tanto a academia quanto a sauna.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 20 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Em certo grupo de pacientes, sabe-se que 10% deles possuem uma determinada doença. Considere o objetivo de avaliar a acuidade de um teste de diagnóstico dessa doença. Observou-se que, dos pacientes desse grupo que de fato possuem a doença, 90% deles apresentaram um resultado positivo no teste. Por outro lado, dos pacientes que de fato não possuem a doença, 10% deles apresentaram o resultado positivo no teste. Entre os pacientes desse grupo que possuem resultado positivo no teste, qual a porcentagem de pacientes que de fato possuem a doença?
- A) 50%.
- B) 75%.
- C) 84%.
- D) 98%.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 21 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Um dos pilares fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS) é a integralidade, que visa garantir que todas as necessidades de saúde de uma pessoa sejam abordadas em diferentes níveis de atenção, desde a prevenção até o tratamento e a reabilitação. Entretanto, na prática, o princípio da integralidade enfrenta desafios como a fragmentação dos serviços de saúde e a falta de articulação entre os níveis de atenção. Considerando o princípio da integralidade no SUS, assinale a afirmativa que corretamente aborda como tal princípio deve ser implementado.
- A) É restrito ao nível primário de atenção, pois a alta complexidade não está prevista no SUS.
- B) Prevê que as ações de saúde devem focar exclusivamente na cura de doenças e não na promoção da saúde.
- C) A integralidade pode ser garantida por meio de ações isoladas dos profissionais de saúde, sem necessidade de articulação entre equipes.
- D) A integralidade implica que o paciente seja acompanhado em todos os níveis de atenção, conforme suas necessidades, com a articulação entre os serviços de saúde.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 22 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
A equidade é um princípio essencial do Sistema Único de Saúde (SUS), que busca garantir que os serviços de saúde atendam às necessidades específicas de diferentes grupos populacionais, como populações vulneráveis, indígenas e pessoas com deficiência. Esse princípio implica a adoção de políticas que promovam o tratamento desigual dos desiguais, ou seja, que ofereçam mais recursos e atenção para aqueles que mais necessitam. Em relação à equidade no SUS, qual das opções reflete corretamente a aplicação desse princípio?
- A) Reduzir o acesso de grupos específicos para equilibrar a oferta de serviços de saúde.
- B) Focar exclusivamente na ampliação da rede privada para diminuir a demanda sobre o SUS.
- C) Oferecer o mesmo nível de atenção e recursos para todas as pessoas, sem considerar suas particularidades.
- D) Implementar políticas que priorizem o atendimento a grupos de baixa renda, comunidades rurais e populações vulneráveis.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 23 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
O controle social do Sistema Único de Saúde (SUS) é garantido pela participação de usuários, trabalhadores de saúde e gestores nos Conselhos de Saúde, conforme preconizado na Lei nº 8.142/1990. Essa composição paritária busca equilibrar os diferentes interesses e promover decisões mais democráticas nas políticas públicas de saúde. No entanto, a paridade nos Conselhos nem sempre se traduz em participação efetiva, pois existem fatores que podem interferir na dinâmica das reuniões e na influência de cada grupo. É uma das principais barreiras à efetiva atuação dos representantes dos usuários nos Conselhos:
- A) Concentração do poder decisório nas mãos dos gestores.
- B) Falta de tempo para a realização de reuniões frequentes.
- C) Ausência de formação técnica específica dos conselheiros.
- D) Dependência financeira dos conselhos em relação ao governo.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 24 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Um município está avaliando a efetividade de suas políticas públicas de saúde e utiliza diversos indicadores de saúde para essa análise. Entre os indicadores analisados estão: a taxa de mortalidade infantil, a cobertura vacinal, a proporção de leitos hospitalares disponíveis por habitante e a expectativa de vida ao nascer. No entanto, o gestor de saúde municipal enfrenta dificuldades para compreender a utilidade desses indicadores em comparação com as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e as realidades locais. Qual dos seguintes indicadores é mais apropriado para medir a qualidade da atenção básica prestada à população?
- A) Cobertura vacinal.
- B) Taxa de mortalidade infantil.
- C) Expectativa de vida ao nascer.
- D) Proporção de leitos hospitalares.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 25 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Em um estudo epidemiológico sobre a mortalidade infantil em uma região do Brasil, foram coletados vários indicadores de saúde, incluindo a taxa de mortalidade neonatal precoce e a taxa de mortalidade infantil tardia. Esses indicadores são críticos para entender a qualidade da assistência neonatal e pediátrica oferecida nos serviços de saúde da região. No entanto, o estudo também sugere a importância de indicadores socioeconômicos para uma análise mais robusta. Qual dos indicadores a seguir é considerado o mais apropriado para entender os determinantes sociais da mortalidade infantil?
- A) Taxa de analfabetismo materno.
- B) Proporção de partos por cesárea.
- C) Cobertura de pré-natal de alta complexidade.
- D) Número de leitos de UTI neonatal disponíveis.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 26 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Em uma investigação sobre um surto de hepatite A em uma comunidade ribeirinha, o sistema de vigilância sanitária foi acionado para averiguar as condições de saneamento e a possível contaminação da água. Como parte do protocolo de vigilância epidemiológica, é necessário reportar os casos ao SINAN. Qual é a interação essencial entre vigilância sanitária e epidemiológica no controle de surtos de doenças de transmissão hídrica?
- A) A vigilância sanitária realiza campanhas educativas; a vigilância epidemiológica aplica multas em casos de contaminação ambiental.
- B) A vigilância sanitária e a vigilância epidemiológica atuam separadamente, cada uma com funções isoladas e sem necessidade de coordenação.
- C) A vigilância sanitária se concentra na inspeção de estabelecimentos comerciais; a vigilância epidemiológica identifica os agentes infecciosos.
- D) A vigilância sanitária atua na eliminação das fontes de contaminação e fiscalização ambiental; a vigilância epidemiológica monitora a notificação de casos e investiga padrões de disseminação.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 27 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Durante o surto de uma doença viral em uma região urbana densamente povoada, foi necessário o desenvolvimento de uma estratégia de saúde pública para controlar a epidemia. A resposta da vigilância epidemiológica incluiu medidas de notificação compulsória, isolamento de casos e rastreamento de contatos. Contudo, verificou-se uma alta taxa de subnotificação, espe-cialmente em áreas periféricas com serviços de saúde deficientes. Quais fatores podem ter contribuído para a subnotificação e para a ineficácia das estratégias de controle da epidemia?
- A) Falta de recursos financeiros para a compra de vacinas e antivirais.
- B) Atraso na resposta das autoridades de saúde à emergência epidemiológica.
- C) Ausência de campanhas de conscientização da população sobre a gravidade da doença.
- D) Barreiras de acesso à saúde e desigualdade social que impactam a notificação e o tratamento.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 28 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Em uma região rural do Brasil, a malária é uma doença endêmica, e sua transmissão ocorre predominantemente em áreas próximas a rios e florestas. A maioria dos casos é causada por Plasmodium vivax, com uma prevalência significativa também de Plasmodium falciparum. Apesar das medidas de controle, como o uso de mosquiteiros impregnados com inseticida, campanhas de pulverização e tratamento em massa, a doença persiste devido às condições socioeconômicas desfavoráveis e à falta de acesso adequado aos serviços de saúde. Considerando as características epidemiológicas e de controle das doenças endêmicas, qual a estratégia mais adequada para reduzir a transmissão da malária nessa região?
- A) Restrição de atividades econômicas próximas a áreas de risco.
- B) Intensificação da pulverização de inseticidas em toda a comunidade.
- C) Foco na distribuição de medicamentos profiláticos para toda a população.
- D) Implementação de medidas intersetoriais que envolvam saneamento básico e educação em saúde.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 29 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Em um município de médio porte, a gestão de saúde está em processo de implementação de distritos sanitários, como preconizado nas diretrizes de saúde coletiva. O principal objetivo da criação desses distritos é descentralizar a gestão, melhorar a alocação de recursos e garantir maior acessibilidade à população. No entanto, a equipe gestora enfrenta dificul-dades em definir os critérios de territorialização, considerando fatores como a distribuição populacional, as desigualdades sociais e a infraestrutura existente. Qual o princípio básico que deve guiar a organização dos distritos sanitários para garantir a integralidade e a equidade no cuidado em saúde?
- A) Estruturação com base na densidade populacional, exclusivamente.
- B) Territorialização baseada em indicadores epidemiológicos e sociais.
- C) Definição de fronteiras rígidas e centralização dos serviços especializados.
- D) Organização dos distritos de acordo com a capacidade hospitalar existente.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 30 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
A organização dos serviços de saúde no Brasil é fortemente baseada no conceito de regionalização, que busca distribuir de maneira equitativa os recursos e os serviços entre as diferentes regiões do país. A regionalização visa, também, superar as desigualdades regionais no acesso à saúde, garantindo que as populações mais vulneráveis tenham acesso aos mesmos serviços de qualidade disponíveis nos grandes centros urbanos. Dada a complexidade e as disparidades regionais no Brasil, o sucesso da regionalização depende da cooperação entre os diferentes níveis de governo e da adequação das redes de atenção à saúde. É considerado um dos principais desafios para a efetiva implementação da regionalização no Sistema Único de Saúde (SUS):
- A) Falta de diretrizes para a atuação dos gestores municipais.
- B) Fragmentação dos serviços primários de saúde no nível municipal.
- C) Ausência de mecanismos de financiamento federal para os estados.
- D) Concentração de serviços de alta complexidade nos grandes centros urbanos.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 31 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
João foi ao posto do bairro devido a uma ferida no pé, sendo diagnosticado pelo médico de família com úlcera venosa. O médico decidiu encaminhá-lo a uma consulta com o especialista. Após um mês, João volta ao posto com uma solicitação de cuidados pós-operatórios da ferida pela Equipe de Saúde da Família (ESF). Sobre a integralidade no Sistema Único de Saúde (SUS) e sua associação ao caso apresentado, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A) Ações de prevenção da ocorrência de outras feridas também são parte da integralidade no caso de João.
- B) A abordagem, por parte da ESF, de João, em seu contexto biopsicossocial, não é atributo da integralidade.
- C) A integralidade apresenta-se na abordagem ampla do caso de João, do tratamento ao cuidado pós-operatório da ferida.
- D) A integralidade apresenta-se no atendimento a todas as necessidades de João em serviços de complexidades diferentes.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 32 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
“Existem em caráter permanente e deliberativo; são órgãos colegiados compostos por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários. Atuam na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do Poder legalmente constituído em cada esfera do governo.” As informações se referem ao seguinte órgão:
- A) Conselhos de Saúde.
- B) Conferências de Saúde.
- C) Secretarias Municipais de Saúde.
- D) Comissões Fiscalizadoras de Saúde.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 33 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Sobre a Atenção Primária à Saúde (APS), analise as afirmativas a seguir.
I. Dentre suas funções está a resolução, que visa referenciar os usuários aos serviços secundários adequados.
II. Dentre seus princípios está a longitudinalidade, que caracteriza uma relação pessoal de longa duração entre profissionais de saúde e usuários em suas unidades de saúde.
III. Dentre suas funções está a organização, que é caracterizada pelo cadastramento dos usuários e pela identificação de suas comorbidades.
IV. Um dos princípios da APS é o primeiro contato.
Está correto o que se afirma apenas em
- A) I e III.
- B) I e IV.
- C) II e IV.
- D) II e III.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 34 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
“A implantação deste Pacto, nas suas três dimensões – Pacto pela Vida, em Defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e de Gestão –, possibilita a efetivação de acordos entre as três esferas de gestão do SUS.” Tendo em vista que esse trecho é referente ao Pacto pela Saúde, de 2006, assinale a afirmativa correta.
- A) O Pacto em Defesa do SUS reduz os mecanismos de controle social.
- B) O Pacto pela Saúde desconsidera as diferenças locorregionais ao redefinir critérios de financiamento.
- C) Esse acordo diminui a autonomia das regiões sanitárias ao instituir mecanismos de gestão centralizada na esfera nacional.
- D) O Pacto em questão propõe um financiamento tripartite que estimula critérios de equidade nas transferências fundo a fundo.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 35 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
“O objetivo desse princípio é diminuir desigualdades. Apesar de todas as pessoas possuírem direito aos serviços, as pessoas não são iguais e, por isso, têm necessidades distintas. Em outras palavras, significa tratar desigualmente os desiguais, investindo mais onde a carência é maior.” As informações se referem a um dos princípios do SUS, norteador de políticas públicas de saúde; assinale-o.
- A) Equidade.
- B) Igualdade.
- C) Integralidade.
- D) Universalidade.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 36 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
De acordo com a Lei Orgânica de Cacoal, analise as afirmativas a seguir.
I. São Poderes do Município, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
II. Cabe à Câmara Municipal, independentemente de sanção do Prefeito, dispor sobre a supressão de distritos existentes.
III. O Município tem direito à participação no resultado da exploração de petróleo, ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais de seu território, incluindo o solo e subsolo a ele pertencente.
Está correto o que se afirma em
- A) I, II e III.
- B) I, apenas.
- C) III, apenas.
- D) II e III, apenas.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 37 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Adonias, presidente de associação de defesa aos direitos das pessoas com deficiência, acompanha perante a Câmara Municipal de Cacoal o trâmite de determinado projeto de lei, de interesse da referida entidade. Maria, uma das integrantes da associação, procura Adonias com a intenção de saber mais a respeito da sistemática prevista na Lei Orgânica para o processo legislativo de tal matéria. A esse respeito, Adonias deverá orientá-la corretamente que:
- A) Caso o projeto de lei seja rejeitado, poderá constituir objeto de novo projeto na mesma sessão legislativa, mediante proposta de um terço dos membros da Câmara.
- B) Após a aprovação do projeto de lei no âmbito da Câmara Municipal, o projeto de lei aprovado será enviado, como autógrafo, ao prefeito, que, aquiescendo, o sancionará.
- C) O prefeito poderá solicitar urgência e votação, em um só turno, para apreciação do projeto de lei, independentemente de ter sido ou não oriundo de uma iniciativa sua.
- D) Caso a iniciativa do projeto de lei tenha sido popular, decorreu de apresentação à Câmara Municipal do projeto de lei subscrito por, no mínimo, dez por cento do eleitorado do Município.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 38 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Em 2030, o Prefeito de Cacoal tomou conhecimento de dois projetos legislativos em trâmite perante a Câmara Municipal, de iniciativa de Vereadores da Casa. Um dos projetos versa sobre modificação do efetivo da Guarda Municipal e o outro versa sobre organização dos serviços administrativos da Câmara. Ato contínuo, o Prefeito consultou a Procuradoria responsável pelo seu assessoramento jurídico acerca dos projetos, questionando se tais matérias eram reservadas à iniciativa exclusiva. Segundo a Lei Orgânica do Município, a Procuradoria orientou corretamente que:
- A) Ambos os projetos são de iniciativa privativa do Prefeito.
- B) Ambos os projetos são de iniciativa privativa da Mesa da Câmara.
- C) O primeiro projeto mencionado é de iniciativa privativa da Mesa da Câmara e o outro é de iniciativa privativa do Prefeito.
- D) O primeiro projeto mencionado é de iniciativa privativa do Prefeito e o outro é de iniciativa privativa da Mesa da Câmara.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 39 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Considere que, hipoteticamente, um dos Secretários municipais que auxiliam o Prefeito foi convocado por uma das Comissões permanentes da Câmara Municipal para, no prazo de oito dias, comparecer pessoalmente à referida Casa Legislativa, a fim de prestar informações sobre assunto previamente determinado, de interesse público e nos termos do que prevê a Lei Orgânica de Cacoal. Recebida a convocação, o Secretário não a respondeu e tampouco justificou sua ausência. Tendo em vista exclusivamente os elementos narrados, é correto afirmar que:
- A) A Câmara Municipal poderá representar ao Ministério Público, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Secretário pela prática de crime de responsabilidade.
- B) Nenhuma consequência poderá ser imputada ao Secretário, considerando que a convocação para comparecimento pessoal somente seria válida se emitida pela Mesa Diretora da Câmara.
- C) O comparecimento do Secretário não é obrigatório, sendo-lhe garantido o direito de encaminhar por escrito as informações pertinentes ao assunto requerido, no prazo de até sessenta dias.
- D) O comparecimento pelo Secretário é mandatório, importando em infração penal a não justificação adequada de sua ausência, cabendo ao Ministério Público a condução da ação criminal pertinente.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 40 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
O gabinete do Prefeito de Cacoal recebeu comunicações oriundas da Câmara Municipal dando conta de projetos de lei recentemente aprovados no âmbito da Casa Legislativa e informando ao Chefe do Executivo o prazo legal para manifestação de sanção ou veto a respeito das matérias que se pretende normatizar. Sobre a manifestação do Prefeito, de acordo com o processo legislativo estabelecido pela Lei Orgânica, assinale a afirmativa correta.
- A) Eventual veto do Prefeito poderá ser parcial, nesse caso devendo necessariamente abranger texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
- B) Caso o Prefeito deixe o prazo legal transcorrer sem que emita qualquer manifestação, seu silêncio será considerado como veto tácito aos projetos de lei encaminhados pela Câmara.
- C) Após o exercício de eventuais vetos pelo Prefeito, as leis são imediatamente promulgadas e publicadas em Diário Oficial, excluindo-se os trechos vetados; a Câmara Municipal, contudo, poderá questionar tais vetos perante o Judiciário.
- D) Na hipótese de o Prefeito vetar os projetos de lei, a justificativa não poderá incluir argumentos sobre a inconstitucionalidade de tais projetos, visto que cabe tão somente ao Tribunal de Justiça Estadual arguir a inconstitucionalidade de projetos de lei.
Ver gabarito
Gabarito oficial: A
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 41 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
A lista de patógenos bacterianos prioritários da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2024 (Bacterial Priority Pathogens List -BPPL) é uma ferramenta importante na luta global contra a resistência aos antimicrobianos. Essa lista categorizou 24 bactérias em três grupos de prioridade: crítica, alta e média, com base na necessidade de pesquisa e desenvolvimento de novos antimicrobianos. Entre essas bactérias estão Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Mycobacterium tuberculosis, Salmonella, Shigella, Neisseria gonorrhoeae, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. Esses patógenos são conhecidos por sua alta taxa de resistência a múltiplos antimicrobianos, representando um desafio significativo para a saúde pública global. Portanto, a identificação laboratorial precisa dessas bactérias é fundamental para um diagnóstico eficaz de infecções. (WHO Bacterial Priority Pathogens List, 2024: bacterial pathogens of public health importance to guide research, development and strategies to prevent and control antimicrobial resistance. Geneva: World Health Organization; 2024.)
Sobre a identificação laboratorial de bactérias de interesse clínico, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A) N. gonorrhoeae: diplococo Gram-negativo, fastidioso, catalase positivo e que não possui flagelos. Forma colônias pequenas em ágar chocolate, geralmente menores que as de neisserias saprófitas. As colônias podem ser de cor cinza a amarela.
- B) P. aeruginosa: pertence à família Enterobacteriaceae sendo uma bactéria Gram-negativa e móvel. Cresce em diversos meios de cultura e é oxidase negativa. Em ágar nutriente, forma colônias verdes ou azul-esverdeadas, devido à produção dos pigmentos piocianina e pioverdina.
- C) Ágar MacConkey: usado para selecionar bactérias Gram-negativas e distinguir aquelas que fermentam lactose das que não fermentam. Colônias fermentadoras de lactose são vermelhas ou rosadas; as não-fermentadoras, como Shigella spp. e Salmonella spp. são incolores e não alteram a aparência do meio.
- D) S. aureus: coco Gram-positivo, catalase e coagulase positivo e não formador de esporos. Fermenta manitol em ágar manitol salgado (ou meio de Chapman), que contém 7,5% de cloreto de sódio. O indicador de pH, vermelho de fenol, muda de vermelho para amarelo em presença de ácido, indicando fermentação positiva.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 44 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
A confiabilidade dos testes laboratoriais depende de diversas características de desempenho, como precisão, exatidão, sensibilidade, especificidade e valores preditivos. Em relação a tais conceitos, assinale a afirmativa correta.
- A) O valor preditivo negativo de um teste laboratorial indica a probabilidade de que um resultado positivo seja verdadeiro, ou seja, que a doença esteja realmente presente.
- B) A precisão de um teste laboratorial está relacionada à capacidade de obter resultados muito próximos ao valor real, podendo ser avaliada pela participação em programas de proficiência interlaboratorial.
- C) A exatidão de um teste laboratorial é avaliada diariamente pelo laboratório, ao medir repetidamente uma mesma amostra, assegurando que os resultados obtidos estejam distribuídos de maneira equilibrada ao redor de uma média.
- D) A sensibilidade clínica de um teste se refere à probabilidade de que uma amostra proveniente de um paciente portador da doença apresente resultado alterado, indicando a presença da doença para a qual o teste se destina a diagnosticar.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 45 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Paciente, 23 anos, procurou atendimento com queixas de lesões cutâneas em áreas específicas do corpo. Relata que as lesões começaram pequenas e, ao longo de três semanas, aumentaram de tamanho e se espalharam para outras áreas. O médico coletou uma amostra da pele afetada utilizando uma espátula estéril, raspando as escamas da lesão. O biomédico responsável pela análise da amostra procedeu o exame direto e a cultura. Iniciou a investigação com um exame microscópico no qual parte do material coletado foi analisado usando uma solução de hidróxido de potássio (KOH). Para uma confirmação adicional, o restante do material foi inoculado em meios de cultura específicos para fungos, como ágar Sabouraud Dextrose (SDA) e ágar Mycosel. Foi confirmada a presença de Trichophyton rubrum, um dermatófito causador de micose superficial. Sobre os aspectos laboratoriais da identificação dessa dermatomicose, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) O exame microscópico inicial da amostra (raspado cutâneo) com KOH permitiu a visualização de leveduras arredondadas, possivelmente produzindo hifas septadas e esporos.
( ) Esse dermatófito geralmente produz colônias de textura cremosa e de cor creme a avermelhada.
( ) A análise microscópica das colônias revelou hifas septadas hialinas e macroconídios em naveta ou fuso, características compatíveis com o gênero Trichophyton.
A sequência está correta em
- A) V, F, V.
- B) F, V, V.
- C) V, V, F.
- D) F, F, F.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 46 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Para a realização de uma avaliação microscópica da urina com competência é fundamental possuir um conhecimento das diversas estruturas morfológicas presentes. Além disso, o biomédico deverá estar atento à importância clínica dos achados urinários e a sua correlação com as anomalias bioquímicas frequentemente associadas à análise microscópica. Diante disso, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A) A piúria indica a ocorrência de infecção ou inflamação no trato urinário. Quando acompanhada de cilindros de leucócitos ou cilindros mistos contendo leucócitos e células epiteliais, considera-se que o número aumentado de leucócitos na urina tem origem renal.
- B) O método mais rotineiro de conservação de amostras urinárias é a refrigeração de 2 a 8°C. No entanto, antes da análise química por tiras reagente, a amostra deve atingir a temperatura ambiente. A refrigeração pode causar aumento da gravidade específica e precipitação de fosfatos e uratos amorfos.
- C) O teste de tiras reagentes para nitrito oferece um método rápido para detecção precoce de doença hepática e distúrbios hemolíticos. Quando há diminuição da função hepática, o fígado não consegue processar adequadamente os nitritos, que então se acumulam no sangue e são filtrados pelos rins, aparecendo na urina.
- D) Para interpretar corretamente os achados clínicos, tanto o pH quanto a gravidade específica da amostra devem ser considerados. Um pH alcalino e uma baixa gravidade específica, sobretudo inferior a 1,010, favorecem a lise de eritrócitos e leucócitos. O conhecimento do pH também é útil para a identificação correta dos cristais.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 47 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Paciente, 45 anos, previamente saudável, é admitido no hospital com quadro de cefaleia intensa, febre e confusão mental há dez dias. Relata ter tido episódios de visão turva e rigidez de nuca nos últimos três dias. O exame físico revela rigidez de nuca e desorientação temporal e espacial. Sem histórico de trauma recente, também não tem antecedentes de uso de medicamentos imunossupressores ou de doenças autoimunes. Diante da suspeita de uma meningite, foi realizada uma punção lombar para coleta de líquor. Dentre os exames solicitados, foi incluído o exame microbiológico para avaliar a possibilidade de meningite fúngica. Com base nas informações apresentadas, sobre a coleta de líquor e o diagnóstico de criptococose, assinale a afirmativa correta.
- A) A coloração de Ziehl-Neelsen permite a visualização do Cryptococcus neoformans, pois é uma levedura álcool-ácido resistente, sendo suas hifas intensamente coradas por essa técnica.
- B) A coloração de Gram é o método de escolha para a visualização de Cryptococcus neoformans no líquor, pois seus esporos são fortemente corados pelo cristal violeta, sendo visualizados como estruturas Gram-negativas.
- C) A coloração com tinta nanquim é amplamente utilizada para detectar Cryptococcus neoformans no líquor, permitindo a visualização do halo claro ao redor do fungo, que corresponde à cápsula polissacarídica característica.
- D) A coleta de líquor para o diagnóstico de criptococose deve ser realizada preferencialmente com a utilização de tubos contendo anticoagulante EDTA, uma vez que o anticoagulante impede a formação de fibrina, facilitando a visualização dos fungos.
Ver gabarito
Gabarito oficial: C
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 48 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Durante a análise morfológica das hemácias em um esfregaço sanguíneo, diferentes tipos de alterações podem estar presentes, sendo importantes indicadores de doenças hematológicas. Com base nas alterações morfológicas das hemácias, assinale a alternativa que associa corretamente a variação na forma das hemácias com sua respectiva condição clínica.
- A) Eliptócitos: hemácias que apresentam uma fenda pálida no centro, características da anemia ferropriva, sendo indicativo de deficiência de ferro.
- B) Esferócitos: hemácias com forma esférica; sua presença no sangue periférico está relacionada à anemia perniciosa causada pela deficiência de vitamina B12.
- C) Esquizócitos: hemácias alongadas em forma de charuto; é um achado comum em pacientes com talassemia, uma condição hereditária que afeta a produção de hemoglobina.
- D) Drepanócitos: hemácias em forma de foice; são observados em casos de anemia falciforme, uma doença hereditária na qual a hemoglobina S provoca a deformação das células, conhecida como falcização.
Ver gabarito
Gabarito oficial: D
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 49 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
Menino, 3 anos, é levado ao pronto-socorro após uma queda leve que resultou em um grande hematoma na perna. A mãe relata que, desde os primeiros meses de vida, ele apresentou sangramentos excessivos após pequenas lesões e demoram para cicatrizar. Recentemente, o paciente desenvolveu um episódio de sangramento intra-articular (hemartrose) no joelho após uma brincadeira. Exames laboratoriais mostram um tempo de sangramento normal, porém o tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPa) está prolongado. O Tempo de Protrombina (TP) é normal. Com base nos dados clínicos e laboratoriais, o diagnóstico de hemofilia é considerado. O fator de coagulação deficiente e o tipo de hemofilia diagnosticada nesse paciente são, respectivamente:
- A) Deficiência do fator VII, caracterizando hemofilia A ou B.
- B) Deficiência do fator VIII, caracterizando hemofilia A.
- C) Deficiência do fator XI, caracterizando hemofilia B.
- D) Deficiência do fator XI, caracterizando hemofilia C.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Questão 50 · Instituto Consulplan · 2024 · Prefeitura Municipal de Cacoal/RO
De acordo com o recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente, 17,5% da população adulta global, equivalente a 1 em cada 6 pessoas, enfrenta desafios relacionados à infertilidade ao longo de suas vidas. (Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/Acesso em: agosto de 2024.) Nesse contexto, o espermograma é o principal exame de avaliação da infertilidade masculina. Considerando a coleta e a preparação da amostra de esperma, bem como os aspectos físico-químicos, a contagem celular e os exames microscópicos, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A) O sêmen se liquefaz, na maioria das vezes, entre 15 e 30 minutos, e o tempo máximo de referência permitido é de 60 minutos.
- B) Na coleta de esperma, a amostra deve ser obtida por masturbação e ejaculada em um recipiente limpo, de vidro ou plástico, não tóxico para os espermatozoides, e mantida refrigerada antes da fase analítica.
- C) A primeira parte do ejaculado contém de 85 a 90% dos espermatozoides, ou seja, não deve haver perda de amostra e, se houver, o paciente deve desprezar a amostra e agendar nova coleta, respeitando o tempo de abstinência.
- D) O uso da eosina-nigrosina para corar o esfregaço de sêmen fresco é vantajoso porque a leitura da lâmina pode ser feita a qualquer tempo. A nigrosina aumenta o contraste entre o fundo e as cabeças dos espermatozoides, facilitando a visualização.
Ver gabarito
Gabarito oficial: B
Resolver esta e outras questões no app →
Treinar com as provas da Instituto Consulplan no app